As Cores da Magia: Magia Negra

As Cores da Magia – Magia Negra

Há uma corrente moderna que classifica a magia, em suas diversas manifestações, com base em cores. Antigamente isso já ocorria com arquétipos planetários, mas a abordagem mais moderna é a classificação por cores, e não por planetas. O objetivo dessa mudança é reduzir ao máximo os vínculos simbólicos relacionados a cada manifestação da magia. Esse é o primeiro texto de uma série sobre as Cores da Magia. Vamos começar com a famigerada Magia Negra, mas todas as outras cores serão abordadas.

Um pouco de história

Há séculos os arquétipos planetários são usados para agregar propósito, estilo e até mesmo moralidade à magia, dividindo-a em diversos tipos.

Os sete planetas clássicos e seus atributos são conhecidos de todo estudante sério do oculto. O Liber 777, de Aleister Crowley, não revolucionou esse conceito, mas serviu para cimenta-lo ainda mais nas principais correntes mágicas. Essa obra vinculou Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua (repare que, astronomicamente, nem todos são planetas!) a seus respectivos números, cores, divindades, Sephiras, odores, metais, etc. Essas relações já existiam; Crowley apenas as tabulou em uma gigantesca planilha.

E o que antes era um conhecimento implícito tornou-se acessível a qualquer um. Ficou fácil enxergar, por exemplo, que Marte tem a ver com deuses da guerra, com a cor vermelha, etc.

O próximo passo foi dado por praticantes da Magia do Caos, que têm uma tendência a desvincular as coisas dos símbolos tradicionalmente associados a elas. Aplicando essa desconstrução aos aspectos planetários, restam as cores. Os Caoistas normalmente dividem a Magia em oito cores, mas outros esquemas de classificação também são usados.

A má fama da Magia Negra

É desnecessário dizer que a Magia Negra é a que mais sofre preconceito dentro do espectro cromático mágico. E não é à toa. Isso se deve, principalmente, à clássica separação moralista que se faz entre Magia Branca e Magia Negra.

Apesar de ser uma coisa um tanto infantil, o conceito mais enraizado na cultura popular é de que a Magia Branca é “do bem” e a Negra é “do mal”. O que é altamente questionável, pois um efeito teoricamente benéfico pode causar grandes problemas para outra pessoa, e vice-versa.

Um simples feitiço para que alguém consiga um emprego, apesar das melhores intenções, pode resultar em uma vida de infelicidade, confinada a um trabalho degradante. Um feitiço para desfazer um relacionamento amoroso pode parecer extremamente maldoso, mas quando realizado sobre um relacionamento tóxico, pode fazer bem a todos os envolvidos, tirando-os de um círculo vicioso deprimente e limitador. Em suma: a separação clássica de Magia Branca e Negra é excessivamente simplista, e não deve ser levada a sério.

Há visões mais modernas do tema, como a seguinte:

Magia Branca se inclina mais na direção da aquisição de conhecimento e um sentimento geral de fé no universo. A forma Negra se ocupa mais com a aquisição de poder, e reflete uma fé básica em si próprio. Os resultados finais provavelmente não são dessemelhantes, pois os caminhos se encontram de uma forma indescritível.

Peter J. Carroll, Liber Null e Psiconauta

Mas esse não é o conceito que abordaremos aqui. Essa divisão entre negra e branca não se aplica para nossos propósitos, já que estamos falando de um esquema de oito cores, que nem mesmo inclui o Branco.

O que é, então a Magia Negra?

Em poucas palavras, é aquilo que associamos ao arquétipo planetário de Saturno. Ou seja, a gnose da Morte.

A morte deve ser encarada como a contraparte necessária da vida, a outra face da mesma moeda. Fingir que a morte não existe não vai fazer que ela deixe de estar lá.

As três principais formas de trabalhar a magia da morte, nesse contexto, são feitiços de destruição, esforços para evitar a chegada prematura da morte, e a necromancia.

Simulações de Morte

Uma forma comum usada por adeptos para atingir a gnose da Magia Negra é simular sua própria morte. A experiência da morte iminente, mesmo que apenas simulada, é útil para ampliar o conhecimento do magista sobre a morte. Racionalizando: um inimigo conhecido é mais fácil de se combater, e pode até mesmo se tornar um aliado. Uma outra aplicação deste tipo de rito de morte simulada é preparar o terreno, estabelecendo um estado mental adequado para o lançamento de feitiços de destruição. A magia da morte, quando usado para fins destrutivos, tem a característica de ser fulminante em seus resultados.

Necromancia

A arte da comunicação com os mortos é conhecida como Necromancia. Há quem diga que a comunicação com pessoas falecidas há muito tempo é impossível, pois qualquer energia do falecido que não se dissipe imediatamente após a morte tende a perder a coesão com o passar do tempo.

Mas nada impede o adepto de buscar inspiração naquilo que um morto representa – a ideia do falecido, se não a sua energia desencarnada em si. O fato é que há muitos relatos sobre comunicações com pessoas que já se foram. E toda comunicação com os mortos, por mais inofensiva e benéfica que seja, cai dentro do espectro da Magia Negra.

Pessoas que já viveram servem como base para várias entidades com as quais se trabalha em algumas tradições de origem africana, como é o caso do vodu haitiano e do voudon gnóstico.

Divindades Saturninas

Dentro do espectro negro da magia, várias divindades se enquadram no aspecto saturnino, podendo ser boas opções para o adepto que deseja trabalhar essa cor ou aspecto da magia. Essas divindades podem ser usadas para fins de invocação, para obter conhecimentos e iluminação; evocação, normalmente para causar destruição; ou até mesmo de forma devocional, similar à religião.

A lista é grande, mas inclui todos os deuses da Morte – Cronos, Saturno, Hel, Anúbis, Papa Ghedhe, Kali, e até personificações mais diretas da morte, como o Falxifer, e representações notadamente fictícias, como a Morte das histórias de Neil Gaiman.

 

Se você quiser saber mais sobre os aspectos branco e negro da magia, Liber Null e Psiconauta, de Peter J. Carroll, é um bom ponto de partida. O Renascer da Magia, de Kenneth Grant, apresenta a evolução da visão de morte, dos antigos egípcios aos dias de hoje. Gnose Vodum, de David Beth, é uma bela introdução aos Loa da família dos Guedhe, inclusive Papa Ghedhe, e a algumas entidades baseadas em pessoas que já se foram. Liber Falxifer e Liber Falxifer II são focados exclusivamente na gnose da morte e no culto a San La Muerte. Todos esses livros você encontra na loja da Penumbra Livros.

 

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