O Legado de Kenneth Grant: Arte, Lovecraft e o Oculto

O Legado de Kenneth Grant: Arte, Lovecraft e o Oculto

A Corrente Tifoniana, difundida por Kenneth Grant, mistura elementos bastante diversos. É uma releitura moderna das mais antigas tradições mágicas, incorporando a doutrina Thelêmica de Aleister Crowley, Tantra oriental, voudon haitiano, as ideias de Austin Osman Spare, entre outros tantos. Mas um dos elementos fundamentais desta corrente é a aplicação oculta de obras de arte. Grant enxergava aplicações mágicas nas obras de Salvador Dalí, Bram Stoker, Arthur Machen e, principalmente, H. P. Lovecraft.

H. P. Lovecraft

“Machen, Blackwood, Crowley, Lovecraft, Fortune e outros usavam frequentemente como tema para seus escritos o influxo de forças extraterrestres que vêm moldando a história de nosso planeta desde o princípio dos tempos…”

Kenneth Grant

Consideremos o exemplo de Lovecraft, talvez o autor mais explorado na obra de Grant. Ele acreditava que Lovecraft não era um mero escritor de ficção, no sentido convencional. Lovecraft foi assombrado por sonhos estranhos e criaturas fantásticas e inimagináveis desde sua infância. De acordo com Grant, Lovecraft era um magista involuntário. Ele estabeleceria de forma natural e instintiva comunicações com inteligências superiores. Este mesmo processo de comunicação era o objetivo de diversas operações da Loja Nu-Isis de Grant. A diferença é que enquanto a maioria dos magistas precisa fazer um esforço enorme para ter sucesso neste tipo de tráfego, no caso de Lovecraft isto ocorria de forma natural, incontrolável e até mesmo indesejada.

Em O Renascer da Magia, Grant destaca uma curiosidade. Apesar de Lovecraft ter ouvido falar de Crowley, não tinha familiaridade alguma com sua obra. Ainda assim, diversos conceitos do culto de Crowley aparecem com outros nomes na obra de Lovecraft.

Artes Plásticas

Não só na comunicação com inteligências extraplanares Grant via aplicações ocultas para a arte. O próprio processo artístico de Austin Osman Spare tem profunda influência do oculto, mas o oposto também se aplica. Salvador Dalí, por exemplo, era visto como um artista brilhante, tendo levado o processo de Spare um passo além.

De acordo com Grant, o processo de Dalí tinha profunda ligação com o conceito africano de fetiche, e suas obras retratavam sensações visualizadas, da mesma forma que as de Spare, representando visualmente a irracionalidade de forma concreta. Estas aplicações pouco usuais da criatividade são de grande importância para a Corrente Tifoniana.

O Renascer da Magia

O tema da arte no ocultismo aparece em O Renascer da Magia, de Kenneth Grant, logo depois da capa. Ao abrir o livro, há uma ilustração dos principais nomes do ocultismo, lado a lado com alguns artistas. Figuram nesta imagem, além dos nomes já citados, Count Basie, Bela Lugosi e W. B. Yeats. Grant também detalha sua visão sobre os Mitos de Lovecraft. O processo mágico-artístico de Austin Osman Spare é descrito em detalhes. Dalí aparece nesta obra, mas em outro contexto. O Renascer da Magia foi relançado em português, e está disponível na loja da Penumbra Livros.

Veja também:

Bibliografia de Kenneth Grant

O Legado de Kenneth Grant – Aossic e Crowley

O Legado de Kenneth Grant – Um Novo Tantra

O Legado de Kenneth Grant – Loja Nu-Isis

O Legado de Kenneth Grant – A Corrente Tifoniana

O Legado de Kenneth Grant – Reverberações Infinitas

O Legado de Kenneth Grant: Arte, Lovecraft e o Oculto

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