Como operar de dentro do Armário de Vassouras – Parte I

(ou “pequenas dicas de como se posicionar – e ajudar – ativamente e ainda preservar a sua identidade mágicka”)

O que é estar no Armário de Vassouras? Lutamos, no momento, contra muitos aspectos, alguns deles até invisíveis (lembrando que esse texto foi escrito em meio da pandemia do COVID-19). Lutamos, por vezes, por motivos que nossos próprios familiares, maridos/esposas, namorados/namoradas e amigos condenam. Vale a pena perder o apoio dessas pessoas, que muitas vezes dividem o teto conosco? O que menos você deseja agora é colocar um grande alvo em sua testa. O que você menos quer é ser enxotado pra fora de casa. E isso é perfeitamente certo e compreensível.

Mas então você vai desistir de fazer magia, de estudar magia, de aplicar seus conhecimentos mágickos para ajudar quem está na linha de frente? Você não precisa de nada disso. Dá pra sair do Armário de Vassouras de uma maneira mais estratégica e menos inconsequente. Você consegue ajudar, você consegue operar, e ainda parecer que você está lá dentro, bem escondidinho. Aqui estão algumas dicas simples para ajudar – e o mais importante –  não atrapalhar quem tá lá dando a cara a tapa no ativismo mágicko:

Anonymous Mágicko

Gostaria de mobilizar os amigos próximos a trabalhar mágicka e ativamente? Crie coletivos que protejam as identidades de todos: páginas e perfis em que todos possam falar sob a mesma identidade são sempre muito úteis. E tome o cuidado de NUNCA linkar a ele nada sob o nome e identidade verdadeiros de todos os participantes.

Boas Referências

Quer ajudar aquela pessoa que tá abertamente falando sobre magia e assumindo os riscos? Amplifique a voz dela! Use seu perfil fake para compartilhar, comentar e impulsionar as publicações de quem você acredita, apoia o trabalho, e tem como referência no assunto.

Safety Word

Combine, com esses amigos próximos, que qualquer tipo de comunicação sua (via redes sociais, aplicativos de conversas, blogs, mediums) que contenha um grupo específico de palavras devem ser levadas a sério. Tenha códigos de pedido de socorro, ou de aviso que alguém possa estar em perigo.

Um bom Ouvinte

Todo mundo tem suas limitações, dores, dúvidas – inclusive no mundo mágicko. Escute as dúvidas dos seus amigos e os ajude a operar melhor magickamente. Troque experiências, indique leituras, marque reuniões virtuais com o auxílio de vídeo para ensinar seus amigos e, o principal de tudo, observe-os e ouça-os com muita atenção. Troca de informação é poder.

Aprenda a se Defender

Dentro do estudo mágicko, todo mundo quer saber como fazer aquela vela preta funcionar, aquela fireball pegar no desafeto, mas poucos se preocupam em estudar as estratégias de defesa. Estar numa situação dessas totalmente aberto e de defesas baixas ou nulas é totalmente desaconselhado, pra não dizer tolo. Proteja-se, proteja os seus.

“Não entre em pânico!”

Sim, estamos sob uma ditadura neo-pentecostal. Há pessoas sendo apedrejadas nas ruas por suas crenças, há pais queimando livros de filhos, há gente sendo agredida por amigos por simplesmente estarem numa ordem. Mas o medo, o pânico, ele se espalha através da narrativa do agressor. Não compartilhe vídeos, áudios, nada que espalhe terror. É muito mais válido avisar o amigo dizendo “tem uma galera querendo entrar no seu grupo no facebook que é claramente religiosa – fique de olho nisso!” do que espalhar uma série de prints, vídeos ou áudios amedrontadores. Transforme o pânico e o medo em combustível inteligente e estratégico.

 

“Mas como eu posso fazer meus rituais se não posso acender velas, usar incensos, ter instrumentos mágickos?”. Ah, isso é perfeitamente factível! Mas espere nosso próximo texto… 😉