O Xamanismo Brasileiro

O Xamanismo Brasileiro

O xamanismo é a manifestação religiosa primordial em virtualmente todas as culturas do mundo. Antes de haver monoteísmo ou paganismo, há sempre o xamanismo. Em tempos pré-colombianos, as diversas etnias indígenas da América do Sul praticavam suas próprias formas de xamanismo. As que se mantêm até hoje continuam praticando-o, com maior ou menor grau de “contaminação” pelas culturas europeias invasoras.

Evidências arqueológicas apontam para a chegada de povos indígenas à região onde hoje fica o Acre há cerca de 12.000 anos. Há teorias que indicam a chegada ao continente americano a partir da Oceania, Ásia, e até mesmo a África. O fato inegável é que os princípios do xamanismo são os mesmos em todo o continente, do Alasca à Terra do Fogo. Cada povo que se desenvolveu ao longo dos milênios adaptou esse conhecimento ancestral à sua própria cultura, mas os fundamentos permanecem.

Na língua tupi, o xamã se chama pajé, e o sentido da palavra é algo como “sabedoria ativa”. O pajé não é apenas um curandeiro da tribo, mas sim uma figura de enorme importância para a comunidade. A importância é tamanha que em muitas comunidades eles são os únicos permitidos a acumular riquezas, na forma de presentes, ornamentos, etc. Povos como os Guaranis chegam mesmo a venerar os ossos dos pajés. Os ossos dos xamãs mais poderosos são até mesmo guardados após sua morte, recebendo oferendas e sendo consultados em momentos críticos.

As habilidades dos pajés são as mais variadas, indo desde feitos como voo mágico e engolimento de brasas até auxiliar os mortos em sua partida, realizar curas espirituais, defender a tribo contra espíritos malignos e indicar locais propícios para a caça.

A forma que estes pajés aplicam o conhecimento do xamanismo para obter seus resultados é muito interessante. Os pajés dos Apurinãs, por exemplo, enviam seus duplos ao céu para apagarem os meteoros que ameaçam queimar o universo, e assim conseguem controlar o clima. Os pajés Tupinambás se preparam por nove dias através de rigorosas restrições para obter profecias através da comunicação com o divino, em transe profundo. Entre os Tapirapés, os pajés são fundamentais até mesmo para auxiliar com a reprodução – durante a gestação, fazem com que uma criança-espírito entre no ventre da mãe.

Infelizmente, em nossa sociedade tida como civilizada, conhecemos pouco ou nada destas ricas, antigas e fascinantes culturas, tão ligadas à natureza, tão carregadas de magia em cada gesto. Por sorte, o xamanismo destes povos está cada vez mais acessível a quem se interessar por ele. O Trovão e o Vento, de Kaká Werá, é um exemplo de obra que nos apresenta os fundamentos do xamanismo tupi-guarani em explicações concisas e através dos versos que tradicionalmente são usados para transmitir este conhecimento. Este lançamento pode ser encontrado na loja da Penumbra Livros.

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