As Cores da Magia: Magia Octarina


Em nossa jornada pelas cores da magia, já falamos das magias negra, azul, verde, amarela, violeta, laranja e vermelha. Nossa última parada é a magia octarina.

Octarina, A Cor da Magia

Talvez você esteja se perguntando que espécie de cor é octarina. Se esse for o caso, não se preocupe: não é ignorância sua.

Sendo um sistema de metacrença, a Magia do Caos se permite buscar inspiração nas fontes mais variadas – o que inclui a ficção. Um bom exemplo disso é o famoso símbolo da Estrela do Caos, que foi inspirada nos romances de Michael Moorcock da década de 1970.

E a octarina, considerada no “mundo real” como uma das cores da magia, também veio da ficção. Só que não de Moorcock, e sim de outro autor inglês: Sir Terry Pratchett. Os escritos de Pratchett – em especial sua série Discworld – influenciaram bastante alguns dos pioneiros da Magia do Caos. Várias obras importantes dessa corrente, desde então, se apropriaram de conceitos pratchettianos, como a própria octarina, a cosmologia do Discworld, etc.

Ao contrário do que muita gente acredita, essa influência pratchettiana não se deu desde os primórdios dessa corrente mágica. A Magia do Caos começou a se estabelecer no final da década de 1970, e o primeiro livro da série Discworld, A Cor da Magia, só foi publicado em 1983. (Esse livro já saiu em português, se você procurar ainda encontra por aí. E se você ainda tem dúvidas, octarina é, sim, a tal cor da magia do título do livro.)

A Octarina de Terry Pratchett

A cor octarina aparece em vários livros de Discworld, e sua concepção nessa série de ficção é um pouco diferente da que foi adotada pelos magistas do caos.

Em Discworld, octarina é a oitava cor do espectro. Ela não é visível para todo mundo, e não está aparente o tempo todo. A octarina se torna visível apenas em locais e/ou situações notadamente mágicos.

E nem todo mundo consegue enxergá-la. Só seres com alguma afinidade com a magia têm essa capacidade. Entre estes poucos privilegiados, estão os magos, as bruxas e os gatos (sim, os gatos).

Ela é descrita, nos livros, como uma cor meio esquisita, um amarelo meio esverdeado, meio arroxeado. Ou seja: uma descrição deliberadamente confusa, para não deixar claro com qual cor do espectro visível conhecido por nós ela se pareceria.

Octarina na Magia do Caos

De acordo com Peter J. Carroll, o primeiro a sistematizar o uso mágico real do conceito de octarina, essa cor tem algumas semelhanças com o conceito pratchettiano, mas também algumas diferenças.

Na “vida real”, a octarina também é a oitava cor do espectro. Mas isso tem outra conotação: de que as sete cores comumente associadas aos astros principais da magia planetária não representam uma visão completa do espectro da magia. Ainda tendo em mente o paralelo com a magia planetária, essa cor estaria relacionada com Urano.

Quanto a ser visível apenas para pessoas relacionadas com a magia, não há dúvidas de que isso se aplica à nossa realidade. Sendo a cor da magia, a octarina nunca se fará visível para pessoas que não têm interesse nenhum por essa arte. (E os gatos de nossa realidade também têm uma certa tendência a enxergar coisas que nem todo mundo enxerga…)

Quanto à aparência dessa cor, vale a pena falar um pouco mais.

Como é a Cor da Magia

Sir Terry Pratchett nos traz uma descrição da cor da magia, ainda que seja uma descrição muito mequetrefe e enganadora. Para finalidades práticas, a octarina acaba se manifestando de forma diferente para cada magista.

Dificilmente duas pessoas terão uma mesma impressão a respeito dessa cor. É uma coisa muito pessoal. E descobrir a aparência dessa cor não é uma coisa trivial. Assim como no universo de Pratchett, a octarina só se manifesta para nós em momentos intensamente mágicos.

A octarina é a cor que aparece nas suas visões, de forma reincidente, sem você forçar a barra, em momentos de forte atividade mágica. Não existe um ritual ou procedimento simples para descobrir essa cor. É uma coisa que só a experiência (no sentido de experimentação) dirá. Não adianta ter pressa. E é o tipo de coisa que, se você está em dúvida, é porque ainda não descobriu.

A descoberta da sua visão pessoal da cor da magia possibilita um certo nível de análise. A partir desse conhecimento, você pode deduzir detalhes da sua visão de magia que nem você sabia que sabia. Se sua octarina é muito puxada para o vermelho, por exemplo, isso pode dizer que você tem um talento inato para magia de combate, ou que o ódio é uma boa ferramenta para você alcançar estados alterados de consciência.

Magia de qualquer uma das outras cores costuma ser mais fácil, por se tratar de resultados mais ligados ao mundo dos resultados objetivos. Quando tratamos de magia octarina, no entanto, é preciso um pouco mais de desenvolvimento da parte do operador. O despertar para essa consciência da cor da magia tem um pouco a ver com o despertar da Kundalini.

A Magia Octarina

Todas as outras cores da magia estão ligadas a pelo menos um campo prático de aplicação da magia – morte, ego, combate, amor, etc. Se todas essas outras sete cores do espectro podem ser vistas como formas de magia aplicada, a magia octarina pode ser considerada a “magia pura”. Magia uraniana. Magia pela magia.

Apesar de se tratar de “magia pura”, isso não quer dizer que não haja aplicações práticas. Essa oitava cor do espectro pode servir, entre outras coisas, para as seguintes finalidades:

Expansão do ferramental mágico

Construção de armas mágicas (físicas ou etéreas), elaboração de novos paradigmas mágicos, desenvolvimento de sistemas divinatórios, e até mesmo a criação de alfabetos e línguas mágicas.

Exploração Interior

Desvendar, descobrir, compreender e coordenar as diversas facetas de manifestação do ego; descoberta do tipo de magista que você quer se tornar (você não quer ser um fazedor de truques pelo resto da sua vida, não é mesmo?); descoberta da Verdadeira Vontade (ou qualquer nome que você queira dar a uma aspiração superior).

Comunicação com Outras Inteligências

Para quem gosta da ideia de que existem inteligências externas a nós e que é possível entrar em contato com elas, há duas possibilidades. Se você quer fazer evocações apenas para conseguir outros objetivos, provavelmente sua magia vai cair em uma das outras sete cores. Mas se sua ideia é se comunicar com essas inteligências apenas com propósitos de obter conhecimento, provavelmente estamos falando de uma operação octarina.

Invocações de deuses ligados a conhecimento e compreensão global também são uma boa: Odin, Baphomet e Éris são alguns exemplos.

A Estrada de Tijolinhos Octarina

A magia octarina, apesar de aparentemente não ter objetivos práticos, é uma das mais recompensadoras.

Quando você começa uma jornada de descobrimento pela Cor da Magia, você não sabe aonde vai chegar. Mas de uma coisa você pode ter certeza: será uma jornada estranha e interessante, com uma forte tendência de pender para o bizarro.

O caminho da magia octarina é, em última análise, a Grande Obra da Magia. Até os fracassos retumbantes que podem (e provavelmente irão) acontecer no meio do caminho têm potencial para servir como fontes de inspiração. E os sucessos certamente servirão para aprimorar sua visão da vida, do universo e de tudo mais. E para te conduzir rumo a uma verdadeira consciência mágica.

Liber Kaos, de Peter J. Carroll, é a fonte primária para informações sobre as cores da magia, mas Liber Null e Psiconauta, do mesmo autor, é a melhor introdução possível ao tema da magia do caos, e é leitura obrigatória para todos os interessados.

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As Cores da Magia: Magia Octarina