Honório: O Papa que Conjurava Lúcifer


Você consegue imaginar aquela figura simpática e tranquila, o Papa Francisco I, em um cômodo escuro, equipado com todo tipo de armas mágicas, no centro de um círculo, conjurando demônios no meio da madrugada? Se isso viesse a público, certamente causaria uma comoção em escala mundial. Outros papas, como o recente Bento XVI, já não causariam tanta surpresa.

Na verdade, ao contrário do que a Igreja gostaria que acreditássemos, papa não é sinônimo de santo. O Papa Alexandre VI, por exemplo, era membro da famigerada família Bórgia, e ficou conhecido na história como o mais depravado dos papas. Alexandre VI não acreditava em Deus, tinha várias amantes, e foi acusado de simonia e heresia.

Até aí tudo bem. Um papa pecador, descrente… Isso é plausível. O que é bizarro de verdade é saber que há um livro, atribuído ao Papa Honório – O Grimório do Papa Honório – que ensina operações muito pouco cristãs. Este grimório vai muito além do clássico Livro de São Cipriano. Estamos falando de operações realmente hardcore, inclusive evocações demoníacas e conjurações de Lúcifer.

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Dois livros diferentes

Há dois livros conhecidos como Grimório de Honório.

O nome verdadeiro do primeiro é Liber Juratus (mas também aparece como Liber Sacer, Liber Sacratus ou Liber Consecratus). Em português, é conhecido como o Livro das Sombras de Honório. Estima-se que seja datado do século XIII.

O título original do segundo é Le Grimoire du Pape Honorius – literalmente, O Grimório do Papa Honório. A data de escrita do livro é questionável, mas sobrevivem cópias de 1670, 1760, entre outras menos conhecidas.

Cinco Honórios diferentes

Não basta haver dois livros diferentes – temos também cinco Honórios diferentes que ocuparam posições episcopais na Igreja Católica. Quatro desses foram papas de verdade, e um foi um antipapa (alguém que simplesmente assumiu a posição de papa, mais ou menos como fazem hoje os papas do Discordianismo).

Honório I foi papa no século VII. Tanto Honório III quanto o IV foram papas no século XIII. Então, se algum desses Honórios de fato foi o autor desses grimórios, Honório III e IV são os candidatos mais prováveis. Eles podem, de fato, ter escrito o Liber Juratus – as datas batem. Mas se eles foram os autores de Le Grimoire du Pape Honorius, isso significa que o livro passou uns 400 anos pegando poeira em alguma biblioteca por aí.

Afinal, qual é a diferença entre esses livros?

O Livro das Sombras de Honório (Liber Juratus)

O verdadeiro autor

Há controvérsias sobre a real autoria do Liber Juratus. Há quem diga que foi, de fato, escrito por um dos Papas Honórios. Mas há outras hipóteses também.

Uma delas diz que o livro foi compilado por um conjunto de magos da época, com a intenção de concentrar em um único livro o conhecimento mágico de seu tempo.

Outros atribuem a obra a Honório de Tebas. Mas esse Honório possivelmente nunca existiu. O próprio livro diz que Honório de Tebas seria filho de Euclides, o matemático grego do século III A.C. Toda a credibilidade vai para o espaço com 1500 anos de distância.

É possível que Honório de Tebas tenha sido um codinome para um dos Papas Honórios, o I ou o II. Mas isso, novamente, não bate com a data de escrita do livro.

A verdadeira autoria permanece um mistério para os historiadores. Mas quando uma lenda se transforma em fato, imprima-se a lenda!

O conteúdo

O Liber Juratus é um verdadeiro grimório salomônico, seguindo uma linha bem similar à Clavícula de Salomão. Diz-se que o próprio Dr. John Dee, o mais importante mago do século XVI, possuía uma cópia desse livro.

Como todo livro antigo o suficiente, há diferenças entre as versões do Liber Juratus. Mas em linhas gerais, o livro apresenta métodos de necromancia, instruções para conjurar demônios e outras entidades, e ainda descreve o funcionamento do plano celestial. A base do sistema apresentado inclui o uso de chaves, selos, encantamentos e teurgia, tudo dentro de uma visão bastante salomônica.

Uma curiosidade: o livro é dividido em não mais e não menos do que 93 capítulos. Coincidência?

O Grimório do Papa Honório (Le Grimoire du Pape Honorius)

Ao contrário do Liber Juratus, tudo indica que o Papa Honório III foi, de fato, o autor do Grimório do Papa Honório. O que torna as coisas ainda mais estranhas.

Este grimório segue o estilo salomônico do Liber Juratus, mas tem uma particularidade: ele foi escrito especificamente para ser usado por padres. Isso mesmo. Um grimório. Para ser usado. Por padres.

É claro que, por isso, toda a magia apresentada em suas páginas é revestida de uma grossa camada de cristianismo. Por exemplo, todas as cerimônias devem ser abertas por uma conjuração de quatro espíritos nos pontos cardeais (uma forma de banimento), mas esses espíritos são chamados através de orações, e não por conjurações imundas.

O grimório também trata de sacrifícios animais e traz selos e fórmulas para evocar um demônio a cada dia da semana. A lista de demônios é séria, e inclui nomes como Nambrot, Astarot, Acham, Béchet, Acquiot, e até mesmo Lúcifer.

A pergunta que não quer calar é: que assuntos um padre (ou um papa!) teria a tratar com esses demônios? A desculpa oficial, apresentada no livro, é que conhecendo estes demônios, é mais fácil controlá-los.

Aham. Sei.

 

Por enquanto O Grimório do Papa Honório e o Livro das Sombras do Papa Honório ainda não estão disponíveis em português, mas se você se interessou pelo tema, pode ir direto na fonte da magia salomônica: A Clavícula de Salomão, disponível na loja da Penumbra Livros.

Honório: O Papa que Conjurava Lúcifer

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