Quimiognose - Drogas e a Magia

Quimiognose – Drogas e a Magia


“Para adorar-me tomai vinho e estranhas drogas a respeito das quais Eu direi a meu profeta, & embriagai deles!”

Liber AL, II:22

Um dos elementos fundamentais para se obter sucesso com operações mágicas é acessar estados mentais pouco usuais. Isso pode ser obtido por transe, meditação, liturgia, e por uma série de outros métodos. Mas seria ingênuo ignorar o potencial das drogas para facilitar as transições para esses estados.

E, de fato, as mais diversas drogas vêm sendo usadas por xamãs, feiticeiros e magos de todas as tradições. Se você pensa que não, lembre-se de que álcool e tabaco são drogas, e que até na missa bebe-se vinho. As medicinas botânicas ingeridas pelos índios também contam. Mas é claro que não para por aí. Certamente não há no mundo droga psicoativa que não tenha sido magicamente explorada. Algumas funcionam melhor, outras pior.

 “Agentes químicos de origens natural e fabricada sempre desempenharam um papel significativo no xamanismo e na magia. Essas substâncias podem tornar diversos poderes ocultos mais acessíveis, mas nenhuma delas por si só confere habilidades mágicas.”

Peter J. Carroll, Liber Null e Psiconauta

Em seu Liber Null e Psiconauta, Peter J. Carroll defende que o potencial das drogas psicoativas para aplicações ocultas é secundário, e que a habilidade do magista que faz uso delas é determinante no sucesso da operação.

Carroll faz um apanhado das principais drogas magicamente úteis, listando-as em três categorias: alucinógenos, desinibitórios e hipnóticos. E, é claro, descreve a utilidade prática de cada uma dessas categorias para os diferentes tipos de operação mágica.

Kenneth Grant, em seu O Renascer da Magia, compila os escritos de Aleister Crowley sobre drogas e os apresenta em um catálogo similar ao de Carroll. As listas não são idênticas, mas é interessante ver as divergências de opinião desses dois experimentadores.

Aleister Crowley parece ter sido um defensor da linha “faça o que eu digo, não o que eu faço”. No fim de sua vida, enfrentava sérios problemas com a heroína. O que começou como legítima experimentação tornou-se um vício traiçoeiro.

Sendo o último discípulo direto de Aleister Crowley, Kenneth Grant presenciou seu combate com a heroína. Mas também chegou a compartilhar com ele experiências mágicas envolvendo o éter. Grant viu em primeira mão os benefícios do uso científico de drogas e os terrores que espreitam nas trevas aqueles que se desviam do caminho.

“A única razão realmente legítima para se recorrer às drogas é a ciência, ou seja, a aquisição de conhecimentos e poderes preter-humanos, que incluem inspiração poética ou qualquer outra forma de dinamismo criativo.”

Kenneth Grant, O Renascer da Magia

Tanto Liber Null e Psiconauta quanto O Renascer da Magia têm capítulos específicos sobre o tema das aplicações mágicas das drogas. Estes capítulos também mencionam usos históricos das drogas nas diversas tradições mágicas mundo afora, e trazem alguns episódios anedóticos. Os dois livros estão disponíveis, em português, na loja da Penumbra Livros.

Quimiognose - Drogas e a Magia

Save